Deputado desafia delatores e ironiza BMW de propina: “já tive oito”

“Quem recebe R$ 30 milhões vai se preocupar com a BMW? Dá para comprar quantas?”. Foi dessa forma que o deputado federal Juarez Costa (Republicanos) reagiu às acusações de que teria recebido R$ 30 milhões em propina e uma BMW para favorecer a Aegea, líder no setor privado de saneamento básico no Brasil, durante o período em que comandou a Prefeitura de Sinop.
Em entrevista coletiva nesta terça-feira (16), o parlamentar ironizou a delação revelada pelo Portal Metrópoles “Eu tive oito. Será que é uma dessas oito? Não era nem quando eu era prefeito”, disparou.
Juarez afirmou que voltou a responder sobre o caso “pela quinta vez” e reclamou que o assunto sempre ressurge em período eleitoral. “Pela quinta vez, eu vou falar do mesmo assunto e sempre em véspera de eleição”, afirmou.
O deputado disse que só tomou conhecimento da nova investigação ao desembarcar em Cuiabá e ressaltou que ainda não teve acesso ao processo, que corre sob sigilo. “Se tem vídeo, vamos mostrar o vídeo. Se existe alguma coisa, vamos mostrar. Eu estou discutindo e estou respondendo à imprensa sem ter conhecimento do processo. Está em sigilo. Fiquei sabendo disso ontem!”, afirmou.
Ao rebater especificamente a acusação de que teria pedido uma BMW como parte da suposta propina, Juarez voltou a ironizar o fato. “Quem recebe R$ 30 milhões vai se preocupar com a BMW? Dá para comprar quantas? Nós estamos falando de 14 anos atrás. R$ 30 milhões dava para comprar dois sistemas de água e esgoto em Sinop. Eu vou pedir R$ 30 milhões e mais uma BMW? Eu tive oito. Será que é uma dessas oito? Não era nem quando eu era prefeito, antes disso”, ironiza.
Segundo o parlamentar, as acusações são repetidas desde a concessão dos serviços de água e esgoto de Sinop e sempre aparecem em anos eleitorais. “Em 2018, na minha eleição para deputado federal, esse assunto veio à tona. Em 2020, na eleição de prefeito, esse assunto veio à tona. Em 2022, na minha reeleição para deputado federal, veio à tona esse assunto. E novamente, 14 anos depois, estou aqui respondendo o mesmo assunto”, emendou.
Juarez também afirmou desconhecer o conteúdo da investigação que deu origem às delações e disse que sua defesa tenta acesso aos autos. “Eu desconheço totalmente o processo. Então, sobre o processo, eu não posso falar porque eu não conheço. Estamos tentando agora continuar a ter acesso”, afirmou.
O deputado ainda desafiou que sejam apresentadas provas das acusações. “Se existe vídeo, eu nunca, jamais recebi. Eu desafio para aparecer um vídeo me entregando qualquer coisa”, completa.
Durante a entrevista, Juarez também defendeu a concessão do saneamento em Sinop. Segundo ele, o processo foi conduzido com audiências públicas e transparência, além de ter recebido aprovação da Câmara Municipal. “Nós fizemos totalmente transparente. Nós fizemos com três audiências públicas. Nós fizemos chamamento público para que todos comparecessem e participassem das audiências públicas”, finalizou.
Ele argumentou que a cidade saiu de 42% de cobertura de água e nenhum sistema de esgotamento sanitário para atendimento praticamente universalizado após a concessão. Conforme o Portal Metrópoles, ex-executivos da Aegea afirmaram em acordos de colaboração premiada que Juarez Costa recebeu cerca de R$ 30 milhões para favorecer a concessionária quando era prefeito de Sinop.
O ex-presidente da empresa, Hamilton Amadeo, declarou ao Ministério Público Federal que autorizou pagamentos destinados ao então prefeito e que, em 2014, também teria autorizado a compra de uma BMW solicitada por Juarez como parte da suposta propina.
Já o ex-diretor financeiro Flávio Crivellari afirmou que o veículo custou R$ 330 mil na época e teria sido entregue por intermédio de um operador da empresa. Outros ex-executivos também relataram supostos pagamentos em dinheiro, inclusive para despesas de campanha e por meio de intermediários.
