Bolsonarista cita condição para ir à Parada Gay de sunga branca

Conhecido por acumular uma série de controvérsias envolvendo a comunidade LGBTQIAP+ principalmente por projetos de lei e declarações públicas, o vereador Rafael Ranalli (PL) comentou a respeito da Parada Gay em Cuiabá. Ele afirmou que iria ao evento caso o organizador, Valdomiro Arruda, o convidasse para ser padrinho. O bolsonarista brincou que usaria até uma “sunga branca”. O momento de descontração ocorreu durante coletiva de imprensa após a sessão da última terça-feira (16).
O parlamentar respondia sobre ir ao evento da “Marcha para Jesus”, realizado neste sábado (20), na Capital com a presença do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). Questionado, em tom de brincadeira, se iria também na Parada Gay, que ocorre no dia 27 de junho, Ranalli afirmou que sim, mas só se o diretor e organizador do evento Valdomiro Arruda o convidasse para ser “padrinho”. O cargo já foi ocupado por outras pessoas públicas.
Entre as madrinhas estão a cantora Lexa, a ex-deputada federal Professora Rosa Neide (PT), e a deputada Janaína Riva (MDB). “Ah sim.. se o Valdomiro me convidar para ser padrinho eu vou, mas pra ser padrinho. Ai eu vou, de sunga branca ainda, sunguinha branca”, brincou o bolsonarista. Além de mulheres, homens também já foram padrinhos como produtor cultural e ativista Jan Moura, o tenente-coronel da Polícia Militar de Mato Grosso Ricardo Bueno e o ativista Clóvis Arantes. O deputado estadual e médico Lúdio Cabral (PT) também sempre é lembrado e reverenciado pela comunidade LGBTQIAP+.
A ‘brincadeira’ ocorre porque Ranalli tem diversos projetos controversos a respeito da população LGBT. Um dos principais episódios foi a criação de uma lei municipal que proíbe a participação de mulheres trans em competições femininas em Cuiabá, medida que motivou uma ação civil pública por suposta transfobia e dano moral coletivo, com pedido de indenização de R$ 400 mil.
Além disso, ele também virou alvo de críticas ao questionar a atuação de movimentos LGBTQIA+, sugerindo que haveria interesses financeiros por trás das ações judiciais contra ele, o que foi interpretado como tentativa de deslegitimar a pauta do movimento. Outras polêmicas incluem propostas legislativas diretamente voltadas a eventos e símbolos da comunidade. O bolsonarista tentou proibir a presença de crianças na Parada Gay, justificando que o evento teria conteúdo impróprio, e também apresentou projeto para impedir o uso de símbolos cristãos nessas manifestações, prevendo até multa e suspensão de eventos.
Mais recentemente, defendeu a proibição de bandeiras LGBTQIA+ em escolas, afirmando que “sexualidade não deve ser debatida” nestes espaços. A última polêmica foi chamar o colega de Parlamento, vereador Daniel Monteiro (Republicanos), de “baitola” durante uma sessão na Câmara de Cuiabá.
