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Idosos no Brasil: Como lidar com o envelhecimento da população?

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Os cuidados de longa duração não estão bem estruturados no Brasil e são fundamentais para garantir o envelhecimento saudável. Para isso, é preciso investir no empoderamento do cidadão para que cuide da própria saúde ao longo da vida, apostando em prevenção e bem-estar.

Uma das estratégias para isso, afirma o médico Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, é considerar os pilares do envelhecimento, como alimentação balanceada e de qualidade, sono, prática de atividade física e controle de doenças como hipertensão e diabete.

O médico faz um alerta: se as políticas públicas não incentivam a prevenção, o bom envelhecimento não está garantido. “As desigualdades não permitem que as pessoas cuidem de sua saúde da mesma forma. A carta de Ottawa de 1986, documento da Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, continua válida até hoje: saúde é criada no dia a dia”, observa Kalache.

Consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Alexandre da Silva compartilha a mesma opinião e diz que envelhecer bem no Brasil ainda é um privilégio. “Pessoas negras e indígenas, LGBTQIA+ e aquelas em situação de rua não conseguem envelhecer da mesma forma.”

Segundo o médico Eliézer Silva, diretor executivo do Sistema de Saúde Einstein, o cuidado integrado, que acompanha o paciente antes de ele precisar de um serviço de saúde, pode ser uma das formas de estimular a conduta preventiva. “Se tivermos capacidade de estabelecer o relacionamento com o paciente antes de ele precisar tratar um agravo, dando informações sobre os determinantes sociais da saúde, será possível planejar e coordenar o atendimento”, avalia.

Os determinantes enxergam o indivíduo em sua integralidade, observando condições de trabalho, saneamento básico, habitação, acesso a alimentos e a serviços de saúde, e educação. Também compõem essa perspectiva as características individuais, o estilo de vida e as redes de socialização. Todos esses aspectos importam na hora de pensar políticas públicas que traçam abordagens coletivas.

“Para que o cuidado integrado aconteça, é preciso ter acesso, e não necessariamente isso significa ter um posto de saúde, um consultório ou hospital. Trata-se de ter acesso a esse entendimento mais holístico de saúde, seja física ou digitalmente”, diz Eliézer Silva.

Atento a essa tendência, o Albert Einstein implementou o cuidado integrado para 20 mil colaboradores e seus dependentes. Primeiramente, a iniciativa entendeu as necessidades coletivas e individuais com questionários. A empreitada deu tão certo que foi possível estender o serviço a outras instituições. “Durante a pandemia, o mais importante para uma parte dos nossos funcionários era a preservação da integridade emocional. Esse mesmo modelo de cuidado que fizemos internamente está disponível, hoje, para empresas por meio de clínicas de atenção primária com foco em saúde mental, suporte nutricional e outros fatores relacionados aos determinantes sociais da saúde”, explica o diretor.

De berço

A comunicação e a oferta da prevenção em serviços de saúde devem vir acompanhadas do entendimento de que o cuidado começa já na gestação. Começar a cuidar cedo das pessoas ajuda a prevenir a ocorrência de demências nas últimas décadas da vida. O especialista Ricardo Nitrini, professor de neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), traz o alerta: “Os três primeiros anos de vida compõem a fase em que o cérebro mais se desenvolve. Se a gestação e a primeira infância não forem bem direcionadas por políticas governamentais, o número de pacientes com demência vai aumentar violentamente”.

Segundo ele, o declínio cognitivo costuma ser um dos maiores medos associados ao processo de envelhecimento. O fator que mais previne contra a demência é a alta escolaridade, que resulta numa reserva cognitiva.

“O indivíduo que prepara o cérebro ao longo da vida será capaz de combater as doenças que se aproveitam do envelhecimento para se desenvolverem. A demência começa antes nas populações em situação de vulnerabilidade de países mais pobres”, aponta Nitrini.

A mensagem principal é que, quanto mais cedo os governos zelarem por suas populações, melhor. E, no âmbito individual, nunca é tarde para se preparar para a velhice.

Descompasso médico

  • 2 mil é o número estimado de geriatras titulados pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
  • 28 mil né a quantidade necessária de especialistas para cuidar dos atuais idosos

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