PF diz que consultor preso do TCE-MT recebeu R$ 32,3 milhões e abriu haras; ele está entre os 16 exonerados por Teis
O consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, preso na Operação Tomada de Contas, teria recebido R$ 32,3 milhões do tribunal e aberto uma empresa de criação de cavalos no período em que os pagamentos cresciam, segundo levantamento patrimonial da Polícia Federal citado pela FolhaMax e pelo Olhar Direto. Ele é um dos 16 servidores exonerados nesta terça-feira (3) pelo novo presidente do TCE-MT, Waldir Teis.
Patrimônio de R$ 1,8 milhão para R$ 7,6 milhões
De acordo com a PF, R$ 31,6 milhões chegaram ao consultor por meio de 179 transferências avulsas, espalhadas por 12 contas em nove bancos. O relatório aponta que os bens e valores ligados a ele somavam cerca de R$ 1,84 milhão em janeiro de 2025 e chegaram a R$ 7,6 milhões em outubro do mesmo ano. Entre os bens estão cinco veículos que, juntos, valem R$ 1,3 milhão, como uma Land Rover Defender avaliada em R$ 735,2 mil, além de um reboque para transporte de animais e um imóvel em Campo Grande (MS) de R$ 305,5 mil.
A PF também identificou a Maia Reining Horses, aberta em julho de 2025 para criar cavalos quarto de milha e vender embriões e sêmen, e uma holding da família. Para os investigadores, o mercado de cavalos e material genético não tem preço de referência público, o que dificulta rastrear o dinheiro. A suspeita de que a empresa tenha sido usada para esconder valores ainda está em apuração. O relatório cita ainda a possível venda de uma caminhonete do consultor ao filho do conselheiro Sérgio Ricardo, presidente afastado do tribunal.
Ameaças e contratos suspensos
O inquérito registra que, em dezembro de 2024, Grhegory procurou a polícia para relatar ameaças contra ele e a família, que associou aos pareceres em que recomendou a suspensão de contratos milionários do TCE-MT. A PF investiga justamente se essas suspensões eram usadas para pressionar fornecedores.
Os 16 exonerados
As exonerações saíram no Diário Oficial de Contas no dia da posse de Waldir Teis. Segundo o RDNews, cinco dos desligados estão presos preventivamente por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ): Grhegory, os advogados Felipe José Glinke e Gustavo Fernandes da Silva, o secretário-executivo Adriangelo Barros Antunes e a chefe de gabinete Roseli Loss. Os outros 11 ocupavam postos em áreas como planejamento, controle interno, orçamento, gestão de pessoas e comissões permanentes.
Nenhum dos investigados foi julgado, e os fatos apurados podem configurar, em tese, crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa, segundo a PF. O TMP não localizou manifestação da defesa de Grhegory Maia sobre o levantamento; o espaço segue aberto.
Com informações de FolhaMax, Olhar Direto e RDNews.
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