TJ suspende ação de deputado estadual bolsonarista contra vereadora de Cuiabá

A desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Gabriela Knaul Albuquerque, suspendeu um processo movido pelo deputado estadual Gilberto Cattani (PL-MT) contra a vereadora de Cuiabá, Maysa Leão (Republicanos). Cattani acusa Maysa de calúnia, difamação e injúria numa discussão com origem num podcast gravado em 2023 que debatia penas a estupradores. Ele pede uma indenização de R$ 52 mil da vereadora.
Cattani perdeu o prazo de apresentação das alegações finais – fase de um processo que antecede a sentença judicial -, que estava prevista para o dia 28 de abril de 2026 mas que só foi protocolada no Poder Judiciário em 5 de maio.
Maysa Leão se queixou do constrangimento ilegal sofrido em razão do deputado estadual não observar os prazos estipulados pelo Poder Judiciário, solicitando que o processo por calúnia, injúria e difamação seja suspenso até o julgamento de mérito de seu pedido pela extinção da ação.
Em decisão publicada no último dia 23 de junho a desembargadora Gabriela Knaul Albuquerque atendeu ao pedido da vereadora. Gilberto Cattani move uma queixa crime contra a vereadora em razão do “corte” de um vídeo, transmitido num podcast no ano de 2023, onde tanto Cattani e Maysa debatiam assuntos de política e comportamento – entre eles as penas contra pessoas condenadas por estupro.
Cattani defendeu um projeto de lei da Câmara dos Deputados que pede a “castração química” de estupradores. Maysa foi contra a proposta, defendendo outras formas de penalização de réus e políticas públicas para combater o crime.
A vereadora conta que depois da divulgação do “corte” do podcast passou a receber ameaças, inclusive de estupro, de seguidores de Cattani, que postou um trecho do vídeo em suas redes sociais dando a entender que ela defendia estupradores. O deputado estadual se defende, alegando que não manipulou o vídeo e que vem sendo alvo de críticas públicas de Maysa Leão sobre o episódio.
