
A 1ª vice-presidente da Câmara de Cuiabá, vereadora Maysa Leão (Republicanos), respondeu às críticas após ser acusada de expor uma adolescente vítima de estupros. Ela afirmou que, em nenhum momento, a imprensa se preocupou em saber se a menor estava bem ou se os abusadores estavam presos.
A parlamentar voltou a dizer que não sabia que a vítima era menor de idade e ressaltou que, quando a população se inscreve para falar na tribuna, não é prática exigir a apresentação de documento de identidade. A polêmica surgiu após a Câmara retirar de seu canal no YouTube o vídeo da audiência pública que discutia casos de violência sexual contra mulheres, crianças e adolescentes, presidida por Maysa.
Na ocasião, a adolescente relatou, na tribuna, que foi estuprada pelo pai, tio e padrasto. “Em primeiro lugar, eu acho que a imprensa deveria estar preocupada em saber se ela está bem e se corre algum risco. Quero dizer, em primeira mão, que ela está bem e não corre risco. Ela contou aqui na Câmara que foi estuprada pelo padrasto, por um tio e pelo pai. Esse pai a tirou da mãe para cuidar dela, dopou, usou para vender drogas e para várias outras coisas. De todas as pessoas que me procuraram, nenhuma perguntou se ela estava bem, se o pai estava preso, se corria risco. Então, qual é a preocupação da sociedade em relação a uma adolescente que teve coragem de subir no púlpito e pedir socorro? Eu não sabia a idade dela. Se a preocupação é comigo, eu não tenho telhado de vidro. Se alguns vereadores disseram que eu expus uma adolescente, eu não ouvi e não sei quem disse”, declarou a vereadora.
Maysa ressaltou ainda que a jovem estava acompanhada por uma psicóloga. “Eu não peguei meu celular, não filmei uma adolescente, não a puxei pela mão nem a coloquei no púlpito. Ela estava acompanhada da psicóloga e da assistente social responsável pelo caso, em uma audiência pública que eu presidia. Ao se inscrever, aqui na Câmara não temos o costume de pedir RG para verificar idade. Como ela estava com um bebê nos braços, ninguém se ateve a perguntar: ela é maior ou menor de idade?”, completou.
A Câmara informou, em nota, que assim que tomou conhecimento do conteúdo sensível e da idade da jovem, determinou a retirada imediata do vídeo dos canais oficiais. A medida, segundo a Casa, foi necessária para evitar violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e assegurar que uma eventual republicação do material siga protocolos de proteção à infância.
A vereadora também negou qualquer indução ao depoimento e disse não ter conhecimento prévio da idade da vítima. Destacou que a audiência contou com a presença de representantes do Ministério Público, Polícia Civil, Secretaria da Mulher, Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ) e outras entidades civis.
Após o episódio, Maysa afirmou que a retirada do vídeo do YouTube foi um pedido seu, justamente para impedir que o relato da adolescente circulasse nas redes sociais sem controle. “Transformar esse episódio em ataque político é distorcer os fatos e, pior, desrespeitar a dor de uma jovem que teve coragem de falar em um espaço democrático e protegido”, disse.
A Câmara, por sua vez, reforçou que adotou todas as medidas cabíveis e reiterou seu compromisso institucional com a proteção de crianças e adolescentes.
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