
O empresário José Antônio Pinto, filho do pecuarista João Antônio Pinto, de 86 anos, proprietário da área no Contorno Leste e morto em fevereiro de 2024, desabafou na Câmara de Cuiabá na manhã desta terça-feira (2) ao falar sobre a decisão do prefeito Abilio Brunini (PL) em desapropriar a área do Contorno Leste e iniciar o processo de regularização fundiária. Segundo ele, o bolsonarista apenas comunicou sobre a determinação e enfatizou que não houve acordo sobre a venda da propriedade.
Além disso, revelou que a família havia doado uma área de 5,7 hectares, num lugar mais alto da propriedade, livre de enchentes, contemplando vias de acesso e a Prefeitura recusou. “Infelizmente, por motivos que eu desconheço ainda, não aceitou essa doação. Então, já existe a doação de uma área para atender os vulneráveis porque é preciso estabelecer um critério. E esse critério foi estabelecido pelo Governo do Estado. A gente se baseou, teve a baliza no relatório da Setasc”, revelou à imprensa.
À época, conforme o relatório da Setasc, do total de 2.594 terrenos mapeados, apenas 196 famílias se encontram em condição de vulnerabilidade socioeconômica. O pecuarista foi morto com um tiro disparado pelo investigador Jeovânio Vidal Griebel durante uma ação policial em fevereiro de 2024 na mesma região.
Em novembro de 2024, o delegado Marlon Conceição Luz, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), sugeriu o arquivamento do inquérito contra o servidor. “Meu pai perdeu a vida. Ele trabalhou a vida inteira naquela propriedade. Eu cresci, nasci naquela propriedade. Meu pai foi humilhado, massacrado, e perdeu a vida no dia do aniversário da minha mãe. É o poder do município. É o poder do Estado. Se ele resolve desapropriar, a gente só tem que aceitar”, lamentou.
Na época, Vidal alegou que João estava armado e reagiu à abordagem. O delegado ouviu mais de 10 pessoas e concluiu que o policial civil agiu em legítima defesa própria e de terceiros ao utilizar moderadamente meios ‘para repelir injusta agressão’.
Mesmo com o arquivamento, a família pede nova perícia em câmeras, por estranharem elas estarem desligadas no momento da morte do idoso. No último sábado (29) Abilio anunciou que irá desapropriar a área do Contorno Leste e iniciar o processo de regularização fundiária da região.
A solução tem sido alvo de críticas de aliados como do deputado estadual Gilberto Cattani (PL) e do vereador Rafael Ranalli (PL), que levou a família do pecuarista na sessão. “Se for para criar galinha, eu vou criar galinha. A propriedade é nossa, é um direito nosso. O prefeito o tempo todo presa pela propriedade privada. Ele disse que falou em valores, eu me recuso a falar de valores. Meus irmãos também estão na mesma toada. A gente quer o nosso direito preservado, como eu falei para os senhores. A propriedade é nossa, foi conquistada a duras penas desde 1967”, desabafou.
Na Tribuna Livre, os vereadores da base governista interpelaram José Antônio que respondeu às perguntas de forma ponderada. O líder do Governo, Dilemário Alencar (União), sugeriu uma nova reunião para definir qual rumo tomar. “Eu entendo ânsia do prefeito em acolher as pessoas, todos os envolvidos sabem disso, a gente quer construir uma solução juntos”, afirmou o filho do pecuarista.
José ainda reclamou que a gestão não está divulgando que a família quer fazer parte da solução do problema.”A gente não quer conflito, a verdade é que a gente é parte da solução, a gente não é parte do conflito. Nós somos vítimas e queremos acolher essas famílias. A gente quer restabelecer que isso seja divulgado. Isso não está sendo divulgado”, afirmou.
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