
A diretora de Comunicação da Câmara Municipal de Várzea Grande, Larissa Malheiros, registrou um boletim de ocorrência por difamação contra os vereadores de Cuiabá, Demilson Nogueira (PP) e Ilde Taques (Podemos), após acusações feitas durante uma reunião realizada no gabinete da presidente da Casa, Paula Calil (PL). O registro foi feito nesta quarta-feira (11) na 1ª Delegacia de Polícia de Várzea Grande.
Segundo relato que recebeu da vereadora Baixinha Giraldelli (SD), para quem Larissa já trabalhou como assessora, Demilson afirmou, durante a reunião, que ela seria a responsável por repassar áudios dele e de Jeferson Siqueira (PSD) à imprensa. O material conteria críticas a alguns dos veículos de comunicação mais acessados do estado. A acusação também teria sido reforçada por Ilde Taques, que, conforme o boletim de ocorrência, sustentou a mesma versão durante as discussões.
Ainda conforme a diretora de comunicação, Baixinha explicou que, durante a reunião entre os vereadores, foi dito que uma investigação informal de Demilson e Ildes teria identificado quem vazou o conteúdo. “Quando eu cheguei lá, ela me falou que teve uma reunião de manhã no gabinete da Paula, com cerca de 20 vereadores, onde anunciaram que tinham investigado quem teria vazado o áudio do grupo de WhatsApp dos vereadores. E aí o Demilson tomou a fala e falou que quem teria passado esse áudio teria sido a Larissa Malheiros, assessora da Baixinha”, disse.
Larissa afirma que a acusação é equivocada inclusive pelo fato de não trabalhar mais com a parlamentar desde outubro de 2025, quando assumiu a diretoria de Comunicação da Câmara de Várzea Grande. Além disso, contou à reportagem que se sente muito triste com toda a situação, visto que em 2017, enquanto era assessora no governo de Pedro Taques (PSB), foi uma das vítimas do esquema ‘Grampolândia Pantaneira’, na qual telefones foram grampeados em um esquema de escutas clandestinas.
“É muito difícil para mim hoje ver que o passado se repete. Eu fui injustiçada na questão dos grampos, fui grampeada sem ter nenhuma relação política com ninguém. Depois o próprio delator disse que eu não tinha nada a ver. Naquela época fiquei mal, entrei em depressão, fui muito julgada por amigos. Muita gente falava pra eu não entrar na Justiça porque iria perder tempo e não vai ganhar nada… e nessa situação prescreveu eu não pude entrar”, desabafou à reportagem.
ALMOÇO COMO MOEDA DE TROCA
Ainda conforme Larissa, ao ser questionado sobre a origem da acusação, Demilson teria dito aos colegas que recebeu a informação de um jornalista durante um encontro em um evento na região do Pedra 90, em Cuiabá. De acordo com Larissa, o vereador afirmou que o profissional teria revelado o suposto responsável pelo vazamento em troca do pagamento de um almoço. “Ele disse que encontrou um jornalista em um evento no Pedra 90 e o jornalista falou: ‘você não sabe quem vazou o seu áudio? Foi Larissa Malheiros’. E teria dito que contaria a informação se ele pagasse um almoço. O jornalista jogou para ele que era eu e ele comprou a ideia”, contou.
A profissional afirma que, ao ser pressionado por Baixinha e por integrantes do gabinete para apresentar provas, o vereador teria admitido que não possuía comprovação concreta, alegando apenas que teria visto mensagens em um celular que indicariam o envio do áudio. Larissa também relatou que, em determinado momento, Demilson teria sugerido que ela teria clonado o celular da vereadora para obter o material.
A diretora disse ainda que tentou esclarecer o assunto diretamente com o parlamentar, mas ele teria se recusado a conversar pessoalmente. A situação, segundo ela, estaria afetando sua vida profissional. “Pode ser vereador, pode ser quem for, se me acusou, a pessoa vai ter que provar. É minha credibilidade que está em jogo. Como eu, jornalista política, vou atuar como assessora de alguém sendo que meu nome circula no meio político como de uma pessoa que clona celular de um vereador. É muito grave”, enfatizou.
Com a repercussão do caso nos corredores da Câmara de Cuiabá, ela decidiu registrar a ocorrência. Larissa também afirmou que soube que Demilson tentou procurar o presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), para tratar do assunto, o que reforçou sua decisão de levar o caso às autoridades. Ao final do desabafo, a jornalista apontou machismo por parte de Demilson e Ilde.
“Eu tive que fazer o boletim de ocorrência e estou entrando na Justiça. Tanto ele quanto o Ilde Taques vão ter que provar que eu clonei o celular da Baixinha. Meu sentimento é de tristeza, de que as pessoas não pensam que eu tenho uma vida, família, minha profissão. Essas pessoas pensam só neles, no poder deles, em desqualificar a imagem de uma mulher. E eu falo mulher porque será que eles iriam querer acusar, encarar, um homem? Por que não acusaram um homem? Pegaram-me para bode expiatório. No passado eu já sofri muito com isso e desde quarta-feira passada eu estou sem dormir direito, fiquei doente porque minha imunidade baixou, mas não vou deixar barato”, garantiu.
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