
Alvo da Operação Perfídia, da Polícia Civil, o vereador por Cuiabá Sargento Joelson (PSB) afirma que o inquérito conduzido pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) ainda não teve desfecho. Em entrevista nesta quarta-feira (4), o parlamentar garantiu que as investigações não avançaram desde então.
Joelson e o vereador Chico 2000 (sem partido), ex-presidente da Câmara, chegaram a ser afastados do cargo no ano passado por decisão judicial durante a operação da Polícia Civil. Os dois ficaram 120 dias fora do mandato, mas retornaram ao Legislativo em setembro de 2025 após decisão do Tribunal de Justiça que suspendeu a medida cautelar.
Enquanto Joelson voltou ao cargo após a decisão judicial, o vereador Chico 2000 voltou a ser alvo de outra operação. Ele foi um dos alvos da Operação Gorjeta, também conduzida pela Polícia Civil, que apura suspeita de uso de dinheiro de propina ligado a emendas parlamentares.
Segundo as investigações, valores ilícitos teriam sido utilizados em obras de uma pousada registrada em nome da filha do parlamentar. A operação cumpriu 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados de celulares. Por causa da nova investigação, Chico 2000 teve o mandato suspenso por 60 dias e foi desfiliado do Partido Liberal.
“A única coisa que mudou do dia que eu voltei para cá, da decisão do Tribunal de Justiça, é que eu fui ouvido. Tão somente. Mas até hoje ainda é inquérito, esse inquérito não acabou, está parado até onde eu saiba. Nunca fui notificado, estamos aguardando, já vai para 11 meses”, afirmou o vereador. Segundo Joelson, o depoimento foi prestado diretamente à Deccor, responsável pela investigação.
“Eu passei aquela situação que eu tinha mostrado, que o cidadão que fez a denúncia é um estelionatário profissional. Ele usou conversas que realmente eu tive com a empresa e transformou elas em outros cenários e vamos nisso, estamos aguardando, mas estamos tranquilos porque eu sei que não vai virar nada isso daí”, disse. O vereador sustenta que seu envolvimento no caso ocorreu quando fornecedores de uma empresa contratada para obras em Cuiabá procuraram ajuda porque não estavam recebendo pelos serviços prestados.
De acordo com ele, trabalhadores e prestadores da região do Jardim Vitória o procuraram relatando uma dívida milionária da empresa. “Na realidade não era a empresa, mas os credores. A empresa ficou devendo R$ 4, 5 mi para guardas que cuidavam, para donos de trator, donos de caminhão e esse pessoal nos procurou. Fiz essa ligação com o vereador Chico no momento e eles trouxeram a empresa para dar a garantia de que ia pagar”, relatou.
Joelson disse que o compromisso assumido pela empresa nunca foi cumprido. “Ela recebeu os R$ 4 milhões e não pagou os fornecedores, tanto é que parou a obra e está abandonada até hoje”, afirmou.
Segundo ele, chegou a indicar testemunhas à Deccor. “Eu indiquei pessoas e fornecedores para serem ouvidos e não sei se foram ouvidos, mas eu indiquei para Deccor e de modo que a minha parte eu fiz, estou aguardando o desfecho”, completou.
O vereador ainda afirmou que conhece trabalhadores que até hoje não receberam pelos serviços prestados. “Eu conheço um cidadão sozinho que esse cara devendo R$ 1.200.000,00 que ele vendeu cascalho”, disse.
O CASO
Operação Perfídia, deflagrada pela Polícia Civil, investiga um suposto esquema de cobrança de propina envolvendo vereadores e a empreiteira HB20 Construções Eireli, responsável pelas obras do Contorno Leste em Cuiabá.
De acordo com o inquérito conduzido pela Deccor, parlamentares teriam solicitado R$ 250 mil em propina em troca da aprovação de um projeto que liberou repasses da Prefeitura à empresa em 2023. As supostas negociações teriam ocorrido dentro de gabinetes na Câmara Municipal e teriam sido registradas por câmeras de segurança.
A denúncia partiu do ex-funcionário da empreiteira João Jorge Souza Catalan Mesquita, que apresentou registros de conversas à polícia. Joelson nega qualquer irregularidade e afirma que sempre cobrou pagamentos aos fornecedores da empresa.
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