
A juíza da Vara de Ações Coletivas do Tribunal de Justiça (TJMT), Celia Vidotti, negou a realização de uma perícia nos vídeos dos depoimentos do ex-presidente da Assembleia Legislativa (ALMT), José Riva, realizados no âmbito de seu acordo de colaboração premiada. A decisão, publicada na última terça-feira (22), ocorre no âmbito de um dos processos derivado da operação Arca de Noé, e aponta um suposto desvio de R$ 1,2 milhão por meio de uma empresa fantasma.
O pedido de perícia foi realizado pelo também ex-presidente da ALMT, Humberto Bosaipo, apontado por Riva como uma das lideranças da suposta fraude. Celia Vidotti lembrou na decisão que os vídeos de Riva em sua delação ocorreram no âmbito da segunda instância do Poder Judiciário de Mato Grosso, tornando necessário que o pedido seja remetido aos desembargadores do TJMT.
“No caso de perícia dos arquivos de vídeo mencionados pela defesa do requerido Humberto Bosaipo, observo que a colaboração premiada não foi firmada neste Juízo, mas sim, perante o egrégio Tribunal de Justiça de Mato Grosso, sendo apenas prova emprestada para este feito. Desse modo, a alegada prova ilícita e o pedido de perícia deve ser apresentada ao i. desembargador relator da colaboração e não neste juízo, assim, indefiro o pedido de perícia nos vídeos”, explicou a magistrado.
Bosaipo também solicitou uma perícia nos cheques utilizados nas fraudes para promover o desvio de R$ 1,2 milhão. A juíza, igualmente, não acatou a demanda dizendo que a solicitação do ex-presidente da ALMT foi “genérica”.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado (MPMT), 23 cheques da ALMT foram utilizados para o pagamento da Sucupira Prestadora de Serviços, entre os anos 2000 e 2002. O órgão ministerial aponta que a Sucupira seria uma empresa fantasma – ou seja, os serviços que deveriam justificar o pagamento de R$ 1,2 milhão nunca foram realizados.
A Arca de Noé foi uma operação que teve como principal alvo o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro, apontado como “financiador” de campanhas eleitorais de políticos de Mato Grosso.
Leave a Reply