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O juiz da Vara de Ações Coletivas do Tribunal de Justiça (TJMT), Bruno D’Oliveira Marques, condenou o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Humberto Bosaipo, em oito processos derivados da operação “Arca de Noé”. As investigações revelaram um esquema de desvios no legislativo estadual por meio de empresas fantasmas.

As oito sentenças foram publicadas entre os dias 27 e 29 de outubro de 2025. Todas as condenações foram proferidas por atos de improbidade administrativa. No total, Bosaipo terá que devolver R$ 10,7 milhões aos cofres públicos, além de ter sido multado em R$ 400 mil.

A maior parte do valor (R$ 9,3 milhões), Bosaipo irá restituir de forma conjunta com os contadores José Quirino Pereira e Joel Quirino Pereira, condenados em sete das oito ações sentenciadas pelo juiz Bruno D’Oliveira Marques. Os irmãos Quirino Pereira foram ainda multados em R$ 140 mil cada um.

Além dos valores, Bosaipo sofreu a suspensão dos direitos políticos por oito anos, penalidade determinada em cada um dos processos, bem como foi proibido de contratar com o Estado de Mato Grosso por cinco anos.

Na mesma linha, os contadores também tiveram os direitos políticos suspensos por cinco anos, além da proibição de contratar com o Estado de Mato Grosso por igual período.

As denúncias que deram base aos oito processos apontam desvios totais que chegaram a R$ 17,3 milhões por meio de 332 cheques da ALMT utilizados para pagamento de “empresas fantasmas”, que só existiam no papel.

O esquema era tão “sobrenatural” que uma das empresas fantasmas apontadas na denúncia do Ministério Público do Estado (MPMT) tinha como sócio um homem que havia morrido um mês antes da criação da organização, no ano de 1999.

“A empresa nunca existiu, sendo que um de seus sócios faleceu em agosto do ano de 1999, 1 mês antes da constituição da empresa”, diz trecho de um dos processos.

A criação das empresas fantasmas, segue a denúncia, tinha participação direta dos irmãos Quirino Pereira, donos do Escritório Ômega, apontado como um “laboratório” de organizações inexistentes.

“A busca e apreensão no escritório Ômega Contabilidade (empresa dos irmãos Quirino) revelou um verdadeiro ‘laboratório’ de criação de empresas irregulares ou inexistentes”, revela um outro processo.

O também ex-presidente da ALMT, José Riva, foi apontado na denúncia como um dos líderes do esquema ao lado de Bosaipo. Em razão de seu acordo de colaboração premiada, porém, Riva teve sua pena extinta.

Riva revelou em seus depoimentos que o esquema ocorreu por pelo menos 20 anos, envolvendo várias empresas fantasmas, entre 1995 e 2015. Segundo o MPMT, os desvios eram promovidos para o pagamento de dívidas de campanhas eleitorais de políticos com o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro, dono da Confiança Factoring.

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