Governador defende que PMs novatos fiquem no interior de MT

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) alertou policiais militares novatos que entram para a Polícia Militar, são lotados em municípios do interior de Mato Grosso e na primeira oportunidade que têm, retornam para Cuiabá ou Região Metropolitana, gerando um déficit de pessoal nas cidades pequenas. A declaração foi feita à Rádio Capital FM.
“Quando você chama concurso e manda o policial que estatá entrando para Cotriguaçu ele fica acampado lá, louco pra voltar pra Cuiabá. E no primeiro momento que ele pode voltar para Cuiabá ele volta e falta policial lá na ponta. Vê se falta policial aqui em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis”, ironizou.
Pivetta também alfinetou os coronéis da ‘Gloriosa’. “Nós temos 33 coronéis aqui no Estado, 15 Comandos Regionais da PM, só 5 coronéis comandando as regionais, os outros estão tudo aqui em Cuiabá, não tá certo isso. Nós precisamos fazer um ‘mea-culpa’ e começar a pensar como Estado e cada um contribuir com sua obrigação. O povo nos contrata para trabalhar para o povo e temos que ir onde ele está”, afirmou durante a entrevista no dia 16 deste mês.
Pivetta disse entender os motivos dos agentes em voltar para casa e se colocou no lugar deles. “As pessoas não ficam onde são destacados para ficar. Simplesmente porque se criaram em outro lugar, sentem saudades dos amigos, mãe, pai, querem voltar! Eu senti isso durante 10 anos quando vim para MT, saudade do meu Rio Grande, sei o que é isso, só não voltei de vergonha, a vida é assim”, pontuou.
Segundo o governador, uma medida para aumentar a segurança seria investir na criação de mais Guardas Municipais. “É por isso que nós queremos criar as guardas municipais. Vou estimular para criar aqui em Cuiabá. Não tem dinheiro? Vamos arrumar! Não tem nenhum problema chamar esse pessoal que tá qualificado. Ao invés de o Estado chamar, o município chama. Cada cidade tem os seus, que daí não vai pedir para mudar de cidade”.
Na política desde 1996, quando se elegeu prefeito de Lucas do Rio Verde, o republicano afirmou que sempre houve pressão por parte de políticos para essa troca de cidades e que se “der ouvidos”, o Estado nunca irá se organizar financeiramente. “É um drama isso a vida toda, porque é pedido de político para transferir polícia, professor. Se a gente der ouvidos para isso, não consegue organizar o estado nunca”, criticou.
Por fim, reforçou que o estado sempre teve efetivo proporcional à necessidade da população mato-grossense. “Esses números aí, é para inglês ver, se for fazer isso não sobra dinheiro para fazer mais nada, só vai ter folha de pagamento e mais nada, fecha tudo. Vamos continuar fazendo gestão. Contratar o que podemos pagar, distribuir bem essa polícia e complementar o policiamento com guardas municipais”.
