Mato Grosso

PF diz que Sérgio Ricardo sacou R$ 500 mil em um dia dentro do TCE-MT e justificou como “uso pessoal”

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O presidente afastado do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, chegou a sacar R$ 500 mil em um único dia na agência bancária que funciona dentro do próprio tribunal e registrou como justificativa “utilização pessoal”. A informação está em relatório da Polícia Federal obtido pelo site Olhar Direto e faz parte da Operação Tomada de Contas, que levou Sérgio Ricardo à prisão preventiva na quinta-feira (29).

R$ 14 milhões em 144 saques

Segundo o relatório, câmeras de segurança do TCE registraram os saques na agência do Sicoob instalada no prédio. Uma comunicação de operação suspeita feita pela instituição financeira aponta 144 retiradas entre janeiro e setembro de 2025, com valores de R$ 1 mil a R$ 490 mil, somando R$ 14,1 milhões. Só em 30 de setembro de 2025 foram R$ 500 mil; em 8 de outubro, mais R$ 490 mil. Pelas contas da PF, o conselheiro recebeu em média R$ 54,3 mil por dia, ou mais de R$ 1,6 milhão por mês.

Agentes disfarçados na fila do banco

Em 14 de outubro de 2025, dois policiais federais foram à agência com uma história de cobertura e, na sala de espera, viram a chefe de gabinete de Sérgio Ricardo, Roseli Loss, fazer um saque enquanto o secretário executivo Adriangelo Barros Antunes colocava o dinheiro em uma mochila. De acordo com a PF, depois dessa diligência os grandes saques em espécie pararam de repente, mas o dinheiro continuou saindo por transferências a contas de terceiros. Em maio de 2026, Roseli ainda teria deixado a agência com R$ 100 mil em duas ocasiões. Os dois também estão presos.

A decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), também registra outra suspeita: depois de uma portaria de agosto de 2024 que suspendeu contratos do tribunal para “conter gastos”, os pagamentos mensais do TCE subiram de R$ 67 milhões para R$ 80 milhões, e seis empresas tiveram aumentos de 128% a 327%, segundo reportagem do RDNews. A PF suspeita que parte desse dinheiro voltava ao grupo, mas a própria decisão diz que ainda não há prova de que esses repasses tenham ocorrido.

O que diz a defesa

Segundo o relatório da PF, Sérgio Ricardo alega que os valores são pagamentos retroativos referentes aos quatro anos em que ficou afastado do cargo por causa de outra investigação. Os investigadores afirmam que os montantes são incompatíveis com a remuneração informada no Portal da Transparência. Os advogados do conselheiro informaram que ainda buscam acesso integral aos autos para definir a defesa. Sérgio Ricardo é investigado e não foi condenado.

Com informações de Olhar Direto e RDNews.

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