Presidenta da Câmara de Cuiabá diz ter ficado magoada após ser removida de grupo da Procuradoria da Mulher
A presidente da Câmara de Cuiabá, Paula Calil (PL), afirmou nesta terça-feira (14) que ficou magoada após ter sido retirada do grupo de WhatsApp da Procuradoria da Mulher do Legislativo. Segundo ela, o episódio demonstra que a defesa das pautas femininas dentro da Casa ocorre de forma “seletiva”.

“Mas aqui na Câmara, a defesa da mulher, ela é seletiva. Ela é seletiva porque se ela não fosse seletiva, nós não seríamos impedidos [de disputar à reeleição]. A gente estaria hoje podendo ter a oportunidade, embora não caminhe no projeto da mesa, de estar disputando”, afirmou.
A declaração foi dada em meio ao acirramento das disputas pela sucessão da Mesa Diretora, que tem provocado um racha entre vereadores e intensificado as tensões na Câmara.
Paula Calil também reclamou de ter sido retirada do grupo justamente após ter atuado para fortalecer a estrutura da Procuradoria da Mulher.
“Eu fui retirada do grupo da Procuradoria, por exemplo. Como presidente, lutei para a instalação da Procuradoria, para dar condições de trabalho para a Procuradoria, para que a Procuradoria tenha sua autonomia e tenha entrega para a sociedade”, disse.
A presidente afirmou que optou por não expor o episódio inicialmente, mas admitiu ter ficado surpresa com a decisão. Questionada se a exclusão teria relação com a disputa pela Mesa Diretora, Paula disse desconhecer as motivações.
“Eu não sei qual é o motivo. Eu recebi com surpresa, quando fui retirada, e também não fui tirar satisfações”, afirmou.
Segundo a vereadora, após a repercussão do caso, ela acabou sendo reinserida no grupo.
“Depois que vazou no final de semana, eu fui ontem à noite recolocada no grupo do WhatsApp. Fiquei [chateada]. Claro que fiquei. Sou mulher. E a gente vem lutando na pauta, na defesa da mulher, para que mais mulheres venham para a política, que mais mulheres ocupem espaços de decisão”, disse.
A vereadora destacou ainda que a Procuradoria da Mulher sempre foi tratada como uma das prioridades de sua gestão à frente da Câmara.
“E a Procuradoria da Mulher é nossa menina dos olhos. Você organiza para que tenha uma estrutura física, para que você tenha uma estrutura de pessoal, para que realmente atenda a sociedade. E aí você, agora, ponto. Você é retirado? Sem nem conversar com você?”, questionou.
Nos bastidores, o episódio ocorre em um momento de forte desgaste dentro do Legislativo cuiabano. A tentativa de mudança no Regimento Interno para permitir a reeleição de Paula no comando da Câmara aprofundou divisões entre vereadores.
Apesar das críticas feitas pela presidente, informações repassadas ao Olhar Direto apontam que a retirada de Paula do grupo ocorreu após deliberação interna da Procuradoria da Mulher ainda em maio, durante um processo de reorganização do aplicativo.
A vereadora Maria Avalone (PSDB), procuradora da Mulher na Câmara, registrou no próprio grupo a justificativa para a medida. Segundo integrantes da Procuradoria, a reformulação teve como objetivo reduzir o número de participantes, mantendo apenas parlamentares e um representante de cada gabinete. A reorganização também teria atingido assessores de outros vereadores.
