
O senador Jayme Campos (UB), que já foi prefeito de Várzea Grande e governador do Estado, afirmou que está construindo um “projeto robusto” para disputar o Governo de Mato Grosso em 2026 e avisou que não aceitará ser escanteado dentro do partido. A declaração foi dada na noite desta segunda-feira (27), durante entrevista ao programa Resumo do Dia (TV Cuiabá), ao ser questionado sobre o fato de a base governista já ter declarado apoio à pré-candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) para suceder o governador Mauro Mendes (UB).
“Estou construindo a possibilidade de uma candidatura. Eu não posso ser candidato de mim mesmo. Tenho que ter apoio da população e da sociedade. Faço política de baixo pra cima, buscando apoios e construindo um amplo arco de alianças”, afirmou. O senador deixou claro que não pretende ser coadjuvante no jogo eleitoral e, caso perceba que será preterido internamente, pode deixar o União Brasil. “Se eu sentir que lá na frente vão me dar uma rasteira, como fizeram com o Wellington [Fagundes], eu mudo de partido. De mim ninguém, vai fazer picadinho”, advertiu.
Durante a entrevista, Jayme destacou que o próprio governador já declarou que apoiará Pivetta na corrida ao Palácio Paiaguás, mas fez questão de afirmar sua autonomia. “O Mauro foi claro comigo: tem compromisso com o Pivetta. E eu disse a ele que também apoio quem eu quiser. Eu não sou um João qualquer, não sou Maria vai com as outras, não sou vira-lata”, disse.
O senador evitou confrontos diretos, mas deixou transparecer o incômodo com o que considera a tentativa de concentrar decisões políticas “de cima para baixo” dentro do partido. “Não aceito ser tocado na cotovelada. Faço política de base, ouvindo a população. O partido não pode virar um balcão de negócios”, criticou
Jayme também comentou a exclusão do senador Wellington Fagundes (PL) das negociações entre Mauro Mendes e o bolsonarismo. O acordo selou o apoio do PL à candidatura de Pivetta e abriu nova fissura na base governista.
Nos bastidores, o movimento é visto como um divisor de águas. Enquanto Mendes e Pivetta se alinham com o PL, Jayme tenta construir uma alternativa “independente e pragmática”, capaz de reunir forças de diferentes espectros políticos. “Respeito o Mauro, respeito o Pivetta, mas cada um tem o direito de procurar o seu espaço. Como eles estão procurando o deles, eu estou procurando o meu”, afirmou.
A aproximação com o senador Wellington Fagundes, que declarou “vamos juntos” em ato público, reforça o projeto de consolidar um bloco alternativo ao grupo de Mauro Mendes. O movimento também deve incluir Janaina Riva (MDB), apontada como possível candidata ao Senado na chapa encabeçada por Jayme.
A tensão interna no partido cresce à medida que se aproxima o prazo da janela partidária, em abril de 2026. Jayme indicou que, se não houver consenso dentro da legenda, buscará outro caminho.“Tenho maturidade suficiente para saber o que é bom. Se eu sentir que não é o momento de ficar lá. Tenho força suficiente dentro da União Brasil e bons aliados. Estou pronto. Agora, se não tiver espaço, eu sei muito bem o rumo que vou tomar”, resumiu.
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