
Após lançar sua pré-candidatura ao Governo de Mato Grosso, o senador Jayme Campos (União) disse que irá “desenterrar os ossos” de adversários na campanha de 2026. O recado, segundo ele, é direcionado para “figurões políticos” que se sentem donos do Estado e querem empurrar goela abaixo uma candidatura “W.O.”
Apesar do desabafo, o congressista não mencionou nomes e negou estar “peitando” seu partido, e afirmou que está pronto para a guerra. As declarações ocorreram em entrevista à Rádio Cultura, nesta quinta-feira (11).
“Estou peitando um grupo dentro do partido que se acha dono do União Brasil. O partido é de todos nós. Imagino que qualquer partido queira ter uma candidatura a governador e, sobretudo, não é um candidato qualquer, não é um picareta. Às vezes é uma pessoa que quer ser candidato para negociar sua candidatura, muitas vezes por questão financeira, não é o caso de Jayme Campos. Eu estou lançando minha candidatura porque eu acho, pela minha trajetória, biografia e musculatura que tenho a capacidade de enfrentar os possíveis candidatos que estão postos aí”, afirmou.
Ele disse estar se preparando, conversando com setores da sociedade, além de conversando com a Executiva Nacional da sigla. Para ele, seria lógico que o partido colocasse um nome à disposição justamente para continuar no poder.
No entanto, devido ao apoio do governador Mauro Mendes (União) com o vice, Otaviano Pivetta (Republicanos), o União não está sendo ouvido. “O partido tem que ser ouvido se quer caminhar num possível apoio ao Pivetta e até hoje o partido não viu. É aquela bela história. Está sendo empurrado goela abaixo e eu, particularmente não aceito comer, porque eu tenho independência suficiente. Tem uns políticos que aceitam tudo aí. Também fazem o seu mandato, ou querem fazer o seu mandato mal para o negócio. Não é a parada do Jaime Campos. Eu faço política com grandeza, e, sobretudo, respeitando a sociedade de Mato Grosso”, declarou.
Ele ainda criticou políticos que se acham donos do Estado, como por exemplo o ex-governador Blairo Maggi (PP). “O partido é composto por várias pessoas. Homens, mulheres, jovens, profissionais liberais, empresários, trabalhadores. Agora, aqui no Mato Grosso, parece que estão querendo fazer aqui como se fosse um apartheid, estão escolhendo o suplente, até que ponto chegou. Aqui virou o quê? Um fazendão? Aqui tem cinco sócios que vão sentar e escolher. Esses bacanas, muitos deles que ficaram bilionários, trilionários, às custas do Estado de Mato Grosso”, disparou.
ALENCASTRO
O cacique ainda rebateu a fala do chefe da Casa Civil e deputado federal Fábio Garcia, que em entrevista recente lembrou que a sigla não foi ouvida quando ele e o deputado estadual Eduardo Botelho queriam disputar a Prefeitura de Cuiabá. À época, a decisão ficou nas mãos de Mauro Mendes, que optou por Botelho.
“Ele foi muito infeliz nessa declaração. Eu não vim fazer nenhum comparativo. Tem uma eleição de Cuiabá, uma eleição de Governo do Estado. Ele que foi frouxo, desculpa a expressão da palavra aqui, foi fraco e não se impôs. Fabinho não fez por direito, ou seja, de chegar, empinar a carroça e ir até às últimas consequências. Não é o caso do Jayme Campos, eu estou propondo a minha candidatura dentro do partido. Ele não é dono do partido, rapaz e vamos para a convenção”, enfatizou o cacique.
Sobrou resposta até para o governador Mauro Mendes, que tem dado alertas ao eleitorado de que Mato Grosso não pode retroceder politicamente. “Vi uma declaração assim: ‘Mato Grosso não pode voltar para trás’. Será que Mato Grosso foi construído nesses últimos oito, dez anos aqui? Para com isso, meu rapaz. Mato Grosso tem uma história aqui que foi construída não só pelos políticos, mas pela população. O grupo do apartheid quer isolar toda a população, quer dizer quem vai dar a regra daqui para frente vai ser nós”, criticou.
Por fim, o senador disse já ter iniciado conversar com dirigentes de outros partidos, como a presidente do MDB, deputada estadual Janaína Riva, que é pré-candidata ao Senado. No entanto, há o empecilho por ela ser nora de Fagundes, eventual adversário de Jayme Campos na campanha de 2026. “Ela tem sempre conversado comigo, é uma das minhas incentivadoras, vou procurá-la no momento certo até porque o sogro dela também é pré-candidato, mas também vou ver a possibilidade de caminharmos juntos. Não só com ela, mas com outros partidos, fazer uma maratona e conversar com o povo, tem que combinar com o povo, não adianta porque no final é o povo quem decide”, encerrou.
Leave a Reply