Política

Vereadora acionará TRE para deixar UB: “não serei trampolim de barões”

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Durante a votação do o projeto de lei que institui a Semana Municipal de Enfrentamento à Violência Política contra as Mulheres no calendário oficial de Cuiabá, na sessão desta terça-feira (10), a vereadora Michelly Alencar (União) fez um desabafo ao dizer que vive na prática o problema no qual candidatas são usadas como “trampolins para eleger barões”. A matéria é de autoria do colega Rafael Ranalli (PL).

Michelly sinalizou que deve acionar a Justiça Eleitoral para deixar o União Brasil. “Você falou algo, vereador, que é algo que eu estou vivendo nesse momento. Nós precisamos de fato que as mulheres ocupem esse espaço e tenham uma credibilidade de serem reconhecidas pela urna. Por terem que provar todos os dias que nós merecemos estar aqui. E isso começa no processo eleitoral. As mulheres não podem mais ser apenas aquele número de voto necessário para os partidos. E eu estou vivendo isso”, desabafou.

Ocorre que Michelly Alencar quer deixar o União Brasil para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) em outro partido. Segundo ela, pela sigla ter quatro parlamentares em mandato, bem como suplentes muito bem votados, isso a não favorecia no pleito.

Entretanto, o presidente regional, governador Mauro Mendes, já afirmou que não irá liberar qualquer vereador de nenhum município, sob a justificativa de que os deputados de mandato não “abrem mão” disso. Durante o posicionamento, Michelly disse que o tempo em que mulheres eram usadas para eleger “barões” ficou no passado.

“Não sou, não fui e vou lutar para não ser mais um número no meu partido para ser apenas uma cota. Mas sim para fazer um pleito justo, de representatividade e para de fato mostrar que esse tempo onde a mulher era apenas número para eleger quem alguns barões gostariam de eleger já passou”, disparou. Segundo ela, no século 21 é o tempo onde as mulheres se colocam à disposição, travam suas batalhas e realmente vão para o ‘front’ com garra, força e justiça, dando a entender que buscará a desfiliação por meio da Justiça Eleitoral.

“Por isso, a Justiça Eleitoral tem que ser para homens, para mulheres e garantir que o espaço seja um espaço onde a gente tenha todas as condições para encarar o processo eleitoral com equilíbrio. Que a gente possa conquistar esse espaço e deixar cada vez mais claro que nós estamos aqui para construir o futuro do Brasil, de Mato Grosso e de Cuiabá juntos”, finalizou.

Ao final do debate, a proposta foi aprovada com 23 votos favoráveis e cria uma agenda permanente para debates, palestras, seminários e campanhas educativas, além de estimular políticas públicas de prevenção e combate à violência política de gênero e ampliar a divulgação da Lei Federal 14.192, de 2021, que estabeleceu normas para prevenir, reprimir e combater esse tipo de agressão.

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