Carta de Flávio teve brasão antigo e ‘Brazil’ com Z; aliado culpa ChatGPT e advogados acionam a PF
A carta em que Flávio Bolsonaro (PL) se declarou “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, divulgada nos Estados Unidos na quarta-feira (28), teve pelo menos três versões em poucas horas. A primeira trazia o brasão antigo do país, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”. Agora, um aliado do senador atribui os erros ao ChatGPT, e um grupo de advogados pediu à Polícia Federal que investigue o uso do símbolo oficial.
Brasão antigo e troca de palavras
Segundo o Poder360 e a Band, a primeira versão foi divulgada pelo comentarista Paulo Figueiredo, aliado de Flávio e de Eduardo Bolsonaro, com o brasão que deixou de ser usado em 1967, quando o país passou a se chamar oficialmente República Federativa do Brasil. Cerca de 13 minutos depois, ele publicou uma “versão com brasão correto”. O texto também mudou: a expressão “verdadeiro presidente eleito” foi trocada por “líder do Brasil”.
“Culpa” da inteligência artificial
Segundo a Folha de S.Paulo, Figueiredo disse que Eduardo Bolsonaro usou o ChatGPT para inserir o brasão no documento e que a ferramenta voltou a incluir o trecho antigo, em que Flávio se apresentava como presidente eleito. Para ele, uma carta sobre “uma realidade tão complexa” passa por várias versões, com contribuição de mais de uma pessoa. A Folha encontrou registro de uso do ChatGPT em uma das versões do arquivo, mas isso não mostra se a ferramenta escreveu o texto ou só ajudou a montar o documento. A assessoria de Flávio e a OpenAI não responderam de imediato ao jornal.
Advogados acionam a PF
Dez advogados apresentaram à PF, na quarta-feira, uma representação contra o senador pelo uso do brasão da República. Eles apontam possível crime contra a fé pública e pedem que o caso seja enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de apuração sobre quem produziu e divulgou a carta e se houve uso de servidores ou equipamentos do gabinete. Segundo o site jurídico Migalhas, o uso indevido de símbolo oficial pode levar a pena de dois a seis anos de reclusão. Até agora não há notícia de inquérito aberto.
Segundo coluna do SBT News, a carta incomodou o governo Trump, e uma entrevista coletiva que Flávio daria em Miami na quinta-feira (29) foi cancelada. Flávio deixou o Brasil sem entregar os passaportes, como havia determinado o ministro Alexandre de Moraes. O senador nega ter fugido, diz ser vítima de perseguição e não apresentou provas da fraude que alega na carta.
Com informações de Folha de S.Paulo, Poder360, Band, ICL Notícias, Migalhas, SBT News e Estado de Minas.
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