Ranalli é alvo de pedido de cassação e de apuração do MP por falas sobre eleitores de Lula e do Nordeste
O vereador de Cuiabá Rafael Ranalli (PL) passou a ser alvo de um pedido de cassação na Câmara Municipal e de uma apuração do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) por declarações e postagens feitas depois da eleição presidencial. Os dois casos foram abertos nesta quinta-feira (29).
Pedido de cassação
O suplente de deputado federal Léo Rondon (PT) protocolou na Câmara uma representação por quebra de decoro e assédio eleitoral. O motivo são falas em que Ranalli defendeu que empresários possam demitir funcionários que votaram em Lula. “Se o cara quiser mandar embora o petista, ele manda”, disse o vereador, segundo o MidiaNews. Em outra entrevista, citada pelo site Passando a Limpo, ele afirmou: “A empresa é minha. Eu contrato quem eu quiser”. Ranalli reconheceu, porém, que o empregador não deveria dizer abertamente que demite alguém pelo voto.
A representação cita os artigos 300 e 301 do Código Eleitoral, que proíbem usar posição de poder para coagir eleitores, e o Regimento Interno da Câmara. Léo Rondon pede que o caso vá à Comissão de Ética e depois ao Plenário, e que as provas sejam enviadas ao Ministério Público Eleitoral, ao Ministério Público do Trabalho (MPT-MT) e à Polícia Federal. O pedido ainda precisa ser analisado pela Câmara.
Postagem com jumento
Em outra frente, a promotora Lindinalva Correia Rodrigues, da 36ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá, que cuida de probidade administrativa, abriu apuração sobre uma imagem publicada nos stories do Instagram do vereador que mostra o mapa do Nordeste sobre a figura de um jumento. A investigação começou a partir de denúncia na Ouvidoria do MPMT. A Promotoria quer saber quem é o autor, em que contexto o conteúdo foi divulgado e se houve uso de recursos públicos ou de canais da Câmara. Ranalli foi notificado para dar explicações. A abertura do procedimento não significa conclusão de irregularidade.
O outro lado
Depois da repercussão da postagem, Ranalli negou ter cometido xenofobia e reclamou dos sites que classificaram a publicação dessa forma. Sobre o pedido de cassação, a assessoria do vereador disse que ele ainda não foi notificado oficialmente e que por isso não vai comentar.
Tema chegou à Assembleia
O assédio a eleitores também provocou embate na Assembleia Legislativa nesta semana. O deputado Lúdio Cabral (PT) cobrou dos deputados do PL Gilberto Cattani e Faissal Calil uma posição contra ameaças de demissão e boicotes a eleitores de Lula em Mato Grosso e abriu um canal para receber denúncias. Os dois rebateram e acusaram o PT de ter usado a máquina pública na campanha.
Com informações de HNT, RDNews, Olhar Direto, MidiaNews, Passando a Limpo, Fatos de Mato Grosso, O Documento, Folha do Estado e Alô Chapada.
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