Copom interrompe cortes e mantém Selic em 13,75% na primeira reunião após reeleição de Lula
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (4), por unanimidade, manter a taxa Selic, os juros básicos da economia, em 13,75% ao ano. Com isso, o BC interrompe o ciclo de cortes que vinha desde março. Foi a primeira reunião do comitê depois da reeleição do presidente Lula (PT).
Segundo a Gazeta do Povo, o Copom havia feito cinco reduções seguidas de 0,25 ponto percentual neste ano, em março, abril, junho, agosto e setembro. Antes disso, a taxa ficou em 15% ao ano de junho de 2025 a março de 2026. Parte do mercado esperava um novo corte, mas outra parte já apostava na manutenção, de acordo com a Agência Brasil.
O que diz o Banco Central
No comunicado, o Copom afirma que o cenário é “desafiador” e exige “serenidade e cautela”, por causa do aumento das incertezas, das expectativas de inflação mais altas e da desaceleração da economia. O comitê disse ainda que acompanha “com atenção” a piora das expectativas de inflação para prazos mais longos. No exterior, o BC citou o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, que pressiona o preço do petróleo. O comitê não deu pistas sobre as próximas reuniões.
A inflação acumulada em 12 meses está acima do teto da meta, de 4,5%. O primeiro boletim Focus depois da eleição, divulgado na terça (3), elevou a previsão do IPCA de 2026 para 5,22% e a estimativa da Selic no fim do ano de 13,25% para 13,50%.
Impacto no agro
Para o agronegócio, peso pesado da economia de Mato Grosso, juros altos por mais tempo significam crédito rural mais caro. Ouvido pela CNN Brasil, o economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio Leal, avalia que o cenário agrava o endividamento dos produtores e pode afetar a produtividade da safra 2026/27. Com a Selic em 13,75%, o Brasil segue com o maior juro real do mundo, segundo ranking citado pelo g1.
Com informações de g1, Agência Brasil, Gazeta do Povo e CNN Brasil.
📩 Receba as notícias do TMP no seu e-mail: assine a newsletter.

